sábado, 10 de setembro de 2016

Memes do Devaneio (1)

Olá pessoal!
Tenho demorado a atualizar as coisas, mas O Devaneio continua viva. Agora estamos divulgando e recebendo memes dos pensamentos da História. Confiram!!



quarta-feira, 20 de maio de 2015

Conto - A Proposta de Heilel


Levantava o Dia seguinte, Rute batia na porta do porão de uma casa.
- Hevel, acorde!
- Mas já?! – resmungava sonolento. 
- Claro que já! É a primeira hora do dia!! Precisamos seguir nossa busca!
- Eu pensava que seria mais tarde!
Hevel acordou totalmente, tomou o desjejum e acompanhou Rute, que já se arrependia do acompanhante. 

*   *   *
A viagem ia se tornando tediosa para Rute, as nuvens pareciam dançar num caldeirão celeste e escurecer, numa manhã que parecia ser de céu limpo. Hevel não parava de falar coisas intermináveis, detalhes da vida dos aldeões, que a moça dava pouca ou nenhuma importância. O excesso de fala e o tédio em escutar fez que eles entrassem sem perceber na mata fechada.

*   *   *
- ... E Edom se arrependeu de comprar mais um terreno. Acho que não deveríamos desejar demais. Muitas posses, significa muita dor de cabeça. 
- Ah, eu daria tudo pra ter poder! - suspirou.
- Mesmo?! – ouviu uma estranha voz entre os rochedos, enquanto caíam gotas em sua cabeça.
- Quem és?
Um lobo imenso apareceu na sua frente. A atitude de Rute era empunhar o bastão e enfrentá-lo. Mas ele a circulava com uma tranquila agilidade, que a desencorajava.
- Alguns me chamam de Lobo da Escuridão. - atravessou atrás de uma árvore um vulto. Era um homem com um capuz negro a cavalo, aparecia do outro lado da árvore ao invés do lobo. 
- Outros me chamam de Heilel, a estrela da manhã. Posso realizar teu sonho...
- Você é um duende ou algo assim?... - dizia Rute estática, sem perceber que já encharcava de chuva.
- Eu sou aquele que fez o que você é...
- Já entendi, você é apenas um louco, ventríloquo, falando como se fosse o lobo, que deve ser seu animal...
- Você era um lindo bebê quando foi encontrada num cesto de vime por um casal de camponeses...
Rute parou surpresa. Tentava esconder o medo. Ele prosseguiu:
- Conhecida com muitos títulos: Rute de Zait, Rute dos becos, Rute, a princesa dos desordeiros; Rute, a caçadora. Consiga o ovo que procuras, e te realizarei um desejo.
Ela estava apavorada, mas seus lábios iam pronunciar “sim”, quando Hevel a pegou pelo braço e correu:
- Esquece esse maluco e corre! 
- Poder e glória... – sussurrou Rute sem que ninguém pudesse ouvir. Desapareceram na mata adentro.

*   *   *
O cavaleiro nem se esforçou em correr. Hevel apenas dizia ganhando distância, enquanto a chuva misteriosamente desaparecia:
- Não deve acreditar nesta gente louca, eles têm alguma coisa que conseguem descobrir coisas da gente por palpites!
- Eu fiz você quando entreguei aquele bebê para aquela família!! – gargalhava o cavaleiro, esporeando o cavalo para dentro do bosque - Poder e glória! - apeou o cavalo e desapareceu mata adentro.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Um conto de Pietros - O Vale da Meia-Noite

 É aqui! Finquei a bandeira do Principado de Zait naquele lugar! Enfim, era verdade. Havia encontrado o lugar conhecido como "Vale do Sol da Meia Noite". A névoa encobria quase tudo a meu caminho. 

Havia passado as estátuas gigantes de Lebanah e Letharis, as Matriarcas, mães de nossas mães. Os habitantes de Tohu, o último Reino do Norte, só avistavam as estátuas com deferência por um Estádio de distância, mas eu achava que era medo supersticioso, mesmo. Porém, quando atravessei senti um calafrio, não em minha pele, mas em minha alma! 

Eu que era um filho de Zait, acostumado com o clima (que vocês, terráqueos, chamam de) Mediterrâneo, estava acostumado com a brisa quente do mar, não me sentia a vontade na neve de Tohu, pior ainda me senti entrando naquele vale, inundado por uma nevoa gelada, entrando pelas mangas da roupa. Céu escuro, apenas a Lua Maior me fazia ver os contornos dos galhos e rochas. Até o momento que percebi: aquela não era a Lua, mas o próprio Sol que não podia vencer a escuridão, como se este lugar não fosse seu domínio. 

Ouvia os uivos e silvos das feras do campo. Me muni de meus arco e flecha paranoico, até encontrar aqueles lendários amontoados de pedras, parecendo esculturas deformadas. Diziam que as crianças não-nascidas, ou órfãs que não conheceram seus pais, faziam-nas em homenagem àqueles pais amados, mas desconhecidos, no reino dos mortos. Um terror inundava minha mente. Eu já chorava, lembrando de meus falecidos pais quando era uma inocente criança. O medo e a tristeza juntos formam o pior dos sofrimentos. Mas não podia desistir da minha missão. 

Encontrei a rocha que estava procurando. Era como um obelisco de cristal púrpura. Clamei o nome de quem eu queria chamar: "Abgail!" o nome ecoava por todo vale, ouvia aumentar o silvo e o chocalho das serpentes, quando materializou no espelho a lendária Abgail, de belos tornozelos, e desmontei de joelhos com minha missão cumprida, Era ela que ia me explicar como vencer o terrível tirano Haman.

(Um conto de Pietros - 06 de Maio de 2015)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Nova Mostra

Olá pessoal! Parecia que estávamos sem novidades, mas ainda antes de lançarmos "O Adormecer de Rute" e "O Amanhã não é o Bastante" vamos ainda participar da feira regional F.A.M.A. em Guarujá com o "Devaneio"!!!

Agradecimentos ao Edson Augusto Sampaio!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Leão da Neve (Conto 4)

Ele era conhecido como seu pai, seu avô e várias gerações anteriores foram chamados: O Leão da Neve!

A vida na terra fria de Tohu era muito difícil. Desde cedo as crianças eram exposta ao frio extremo para aprenderem à resisti-lo e amá-lo. Assim desde cedo cresceu o pequeno Gad Yedar III. Yedar tinha o cabelo castanho claro e seus olhos tinham um tom azulado. Ele sentia que era diferente das outras crianças, e ficava horas exposto ao frio mais tempo do que elas por exigência dos seus pais nos horários de Aurora Boreal. Aliás, elas dificilmente brincavam com ele. Quando perguntou, sua mãe respondeu que era pela profissão de seu pai:
- Por que as outras crianças parecem que tem medo de mim?
- Seu é o Guarda-costas do Principe, meu filho! O homem mais temido do Reino.
  
O pequeno Yedar ouvia e se enchia de medo e admiração pelo pai, pouco conversavam em casa sobre o assunto. Ele viu o pai afiar a espada da família que possuía um cabo dourado e uma efigie de leão. Mas o pai mandava-o cuidar da vaca, quando teve certeza sobre o que o menino queria perguntar.   

Certa dia, houve tumulto na cidade imperial, Tohu-Ir. O pequeno Yedar se aproximou da multidão que se empurrava. Havia musica marcial e gritos. Conseguiu enxergar uma procissão de carruagens e carros de guerra. Ficou fascinado. Os soldados de Tohu marchavam com suas armaduras cor de prata e azul. Eram todos de cabelos e pele clara. No meio havia uma grande carruagem, e nela uma visão surpreendente: O Principe Leban em pessoa! Era alto, de ombros largos, de roupa longa e grandes cabelos brancos. E ao lado dele seu pai, o famoso Gad Yedar II! Não sabia qual visão era mais tocante. Ver o maior homem de seu reino ou ver a presença de seu pai ao lado dele. Ouvia os jovens gritarem querer ser como Yedar.
Mas ainda não tinha terminado o pathos:  Sentiu que o príncipe Leban olhou diretamente nos seus olhos, no meio de uma multidão imensa.

O séquito saía da cidade. As crianças que conhecia corriam atrás das ultimas carruagens e carros de guerra. Yedar sentiu-se tomado de uma certa emoção e começou a correr também. Quando a estrada estava mais dificil, aos poucos as crianças foram deixando o cansaço falar mais alto. Mas Yedar continuou correndo pensando:

"Meu pai é o braço direito do principe! Como eu queria acompanhá-lo! Queria ser como ele!"   

Afastando numa curva atrás de uma pedra, ouviu um estrondo. A carruagem foi feita em pedaços. Yedar temia pelo pai e desesperou-se a correr. Um velho com uma barba longa, um olho de vidro e um cajado se aproximava da carruagem.

- Enfim, deu um descuido Lorde Leban, não viverás para contá-lo!

O pequeno Yedar procurava nos escombros pelo pai, e o viu caído sob as tábuas da carruagem. Correu até ele, que só conseguia falar em gemidos:

- O que está fazendo aqui?! - disse irritado - Fuja!

- Que interessante! Terei o renome de mandar pros ares o grande Yedar II e seu rebento. Será bom para prevenir qualquer vingança futura!

O homem estendeu seu cajado para os dois. O pequeno Yedah, desesperado, pegou a espada na cinta do pai e avançou. O bruxo lançou um jato de vento congelado sobre eles. A surpresa é que a criança resistia bravamente o frio e corria na direção do velho que, sem acreditar, viu seu corpo ser cortado pela espada. Caiu semi-morto, agonizante:

-  Fui derrotado pela famosa espada "Arieh"... mas com a mão de uma criança!

- Não é qualquer criança, Mago Zev-R'a! - ouviu a voz do principe atrás dele - Se fosse outro, o seu raio de gelo o teria matado de frio. Mas este é o "Leão da Neve", Gad Yedar III.

O principe olhava nos olhos do menino, que se sentia invadido na alma. 

- Sua família descende do famoso Iazifrid, o que matou o Dragão Saraf na Era da Prata e banhou-se com seu sangue. Há gerações os Yedar e sua espada Arieh servem à família Leban. Assim Yedar II serviu a meu velho pai e assim este mancebo será meu protetor.

Outra carruagem vinha socorrer os três. O pai do menino saía das tábuas da carruagem mudo. Estava sentindo uma mistura de vergonha por sua impotência em proteger o principe, e um misto de inveja e orgulho de seu filho. Leban o cortou como se lesse sua mente:

- Yedar, disfaça este pensamento. Sabes que algum dia não terás este cargo. Por hora leve o menino e prepare-o para lhe suceder! Pois um leão como rei dá lugar algum dia a um leão mais jovem.

O menino cresceu e o poderoso Gad Yedar III, guarda-costas oficial de Lorde Leban, nunca esqueceu aquele dia, em que um filhote teve de ocupar o lugar de um Leão da Neve.     

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A segunda Edição - Completa!

Oi amigos!
Enfim, posso colocar tintim-por-tintim o que foi mudado e melhorado na versão do "Devaneio". Vamos lá:

1) Atualizamos o texto de acordo com a nova ortografia;

2) Mais detalhes em certas descrições de pessoas e lugares;

3)  Yuda aparece em novas lutas e também Yedar tem um novo combate;

4) Alguns passos da estória aparecem reformulados, de forma mais marcante no destino dos personagens, outros só houveram acréscimos, com cenas novas;

5) São mencionados 3 dos grandes heróis de Mnesis: Iazifrid, Letaris e Lebanah, que farão diferença durante a série;

6) O destino  de Reshi é explicado, mas ainda causa dúvidas sobre seu paradeiro...

Agora estamos esperando sair do forno este livro praticamente novo, recomendo que mesmo quem adquiriu o primeiro, ao menos também folheie o segundo, aguardando os próximos da série!

Na foto: a primeira ilustração de Rute em 2003, as nuvens eu faria bem diferente hoje... =P

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PERGUNTAS - Coadjuvantes

Rodrigo, seu livro é bom e fácil de ler. Gostaria de saber sobre os coadjuvantes:
1- Quem é seu coadjuvante preferido.
2- Os coajuvantes parecem que deixam um gostinho de "quero saber mais" porque não escreveu mais sobre eles?
3- Os pares romanticos de Rute, quem afinal fica com ela?
Arthur Fernandes, (Rio de Janeiro, RJ)

Arthur, obrigado. Meu objetivo era exatamente fazer um livro de fantasia, não um épico, mas um texto fácil e gostoso de ler.  O princípio da simplicidade que me norteou. Seus comentários me fazem contar um pouco demais da estória pra quem não leu.
Mas vamos às perguntas:
1- O coadjuvante inicial que tinha minha predileção era Yuda. Ia ser a dupla divertida de Rute. Mas tenho outros preferidos, como Iohana a andarilha, que me inspirei num quadro com uma moça de vestido rosa pegando carona numa carroça. Ela aparece na estória várias vezes, mas não é necessariamente uma heroína.
E o Barão Ruro, que foi o ultimo personagem, que criei depois de terminar o livro.
2- É que a principio, os coadjuvantes seriam "experiencias compartilhadas" não mais importantes que Rute e Leban. A despeito do que planejei, é que uns ganharam mais destaque que outros como Yedar, coadjuvante-vilão que gosto muito.
3- Dificil responder! (risos) Acho que todos devem ler e tirar suas conclusões.